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Marcos Veiga do Santos
28/10/2005
Efeitos da mastite clínica sobre a função ovariana de vacas no pós-parto
 
Os estudos mais recentes apontam que a ocorrência de mastite está associada à redução da taxa de concepção e das perdas fetais, independentemente se o agente causador é um microrganismo gram-negativo ou gram-positivo. Além disso, não somente a mastite clínica, mas também a ocorrência da forma subclínica, está associada à redução do desempenho reprodutivo das vacas leiteiras. Entre as possíveis causas que explicam o efeito da mastite sobre o desempenho reprodutivo, encontram-se as alterações ovarianas induzidas diretamente pela mastite, ainda que poucos estudos sobre o tema tenham sido desenvolvidos.

Na tentativa de identificar as causas destas alterações reprodutivas, foi desenvolvido um estudo em condições a campo (rebanhos comerciais) por pesquisadores europeus, avaliando vacas de alta produção no período pós-parto. As vacas leiteiras selecionadas para entrar no estudo foram aquelas com mais de duas lactações, que não apresentaram histórico de mastite crônica e CCS média de <400.000 cel/ml na lactação anterior, as quais foram monitoradas quanto aos níveis de progesterona (P4) durante 95-100 dias após o parto. Dentro do grupo de vacas estudadas, aquelas que apresentaram casos de mastite durante os primeiros 80 dias pós-parto, foram avaliadas quanto aos sintomas clínicos e foi coletada amostra de leite para identificação do agente causador. A identificação do microrganismo causador da mastite possibilitou dividir os casos em três grupos principais: gram-negativos, gram-positivos e sem isolamento.

As vacas que tiveram algum caso de mastite entre 15 e 28 dias de lactação apresentaram maior demora no início da atividade ovariana e maior demora no aparecimento do primeiro estro pós-parto. Além disso, a porcentagem de vacas que ovularam até o 28º dia pós-parto foi menor nas vacas que apresentaram mastite, em comparação com vacas livres de mastite. No tocante a luteólise prematura, foi observada maior porcentagem nas vacas que apresentaram mastite causada por microrganismos gram-negativos ou sem isolamento, em comparação com vacas que apresentaram mastite por bactérias gram-positivas. Destaca-se dentre os resultados obtidos que a mastite não esteve relacionada com o aumento da ocorrência de cistos ovarianos, dentro do período de tempo do estudo.

É importante lembrar que nas primeiras semanas de lactação a função ovariana está prejudicada em função das alterações metabólicas, endócrinas e do balanço negativo de energia. Para os casos de mastite clínica causada por bactérias gram-negativas, existe liberação de endotoxina, mas normalmente não ocorre a sua entrada na corrente sanguínea. Entretanto, nestes casos de mastite existe intensa liberação de substâncias como citoquinas e interleucinas, as quais podem atingir o sistema nervoso central e, consequentemente, afetar a liberação e os níveis de diversos hormônios na corrente sangüínea. Este mecanismo poderia assim explicar as relações entre a ocorrência de mastite e a redução do desempenho reprodutivo de vacas leiteiras no período pós-parto.

Os resultados encontrados pelo estudo indicam que a mastite afeta o reinício da atividade ovariana no período pós-parto em vacas leiteiras. Contudo, mesmo nas vacas que iniciam normalmente os ciclos ovarianos, a mastite causa efeitos negativos sobre a reprodução, pois pode resultar em luteólise prematura ou prolongamento da fase folicular do ciclo estral.

Fonte: Reprod. Dom. Anim. Vol. 40, p.199-204, 2005.
 
 
 
 
 
 
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